HISTÓRIA

As Grandes Navegações

As Grandes Navegações foram o processo de exploração e navegação do Oceano Atlântico. Tiveram inicio no século XV e se estenderam até o século XVI. Durante esse período, os europeus, principalmente portugueses e espanhóis, procuravam novos caminhos marítimos para chegar a Ásia. Essa procura os fez chegar a terras até então desconhecidas por eles, como ao continente americano, local ao qual chegaram em 1492.

Não demorou muito para que as duas maiores potências marítimas da época, Portugal e Espanha, entrassem em conflito sobre os direitos de colonização do Novo Mundo.

Tratado de Tordesilhas

O Tratado de Tordesilhas foi um acordo assinado em 7 de junho de 1494 entre a Espanha e Portugal. Esse acordo visava a resolver disputas relativas às terras em que Cristóvão Colombo e outros exploradores do final do século XV haviam encontrado. Só que deixou de fora os outros Países que, em menor proporção, também faziam suas expedições.

“De acordo com alguns mapas, o território português no Brasil começava próxima a onde atualmente se encontra Belém, no Pará, e descia em linha reta até perto de Laguna, em Santa Catarina.”

“Com o passar do tempo, os portugueses começaram a invadir o território espanhol. Dessa maneira, o Brasil começou a ter os contornos que conhecemos hoje. A Espanha, que precisava tomar conta de um domínio muito extenso, não conseguiu se defender das investidas portuguesas.”

Capitanias Hereditárias

“O sistema de capitanias hereditárias foi implantado a partir da expedição de Martim Afonso de Sousa, em 1530. Os portugueses tiveram receio de perderem suas terras conquistadas para outros europeus que já estavam negociando com os indígenas e buscavam se fixar ali.”

A primeira tentativa de colonizar o norte do Brasil foi através da criação de Capitanias Hereditárias. Em 1534, o Brasil foi dividido em 14 capitanias, entre elas a do Maranhão, que incluía o território do atual Estado do Pará.

A expedição de Aires da Cunha partiu de Portugal em 1535, com a missão de colonizar tal capitania. O mesmo veio a falecer em águas maranhenses.

O restante da expedição se instalou na Ilha de São Luiz, que recebeu o nome de Trindade. Ainda chegaram a fundar a Vila de Nazaré, mas após conflitos com os índios locais, a tentativa de colonização fracassou.

Os franceses sabendo da falta de interesse dos portugueses com a capitania do Maranhão começam suas incursões pelo território.

Em 1594, os franceses Jacques Riffault e Charles des Vaux, chegam a esta região, estabelecem contato com os índios e iniciam a tentativa de colonização francesa.

Des Vaux retorna a Europa para solicitar reforços a coroa francesa e em 1612, volta ao território maranhense acompanhando a expedição de Daniel de la Touche, Senhor de La Ravardière.


Daniel de la Touche e o primeiro avistamento de Virianduba

A expedição de Daniel de la Touche chega à região em 1612. A França tinha o sonho de implantar uma colônia na região dos trópicos. O que ficaria conhecida como França Equinocial.

Edificou um forte no dia 08 de Setembro do mesmo ano e deu-lhe o nome de Saint-Louis (“São Luís”), em homenagem a Luís IX, patrono da França, e ao rei francês da época Luís XIII, que representa o marco de fundação da nova cidade: São Luiz do Maranhão.

Já fixados no Maranhão, os franceses planejam sua investida a foz do rio Amazonas. As lendas contadas na época associavam a região a grandes riquezas.

Em 1613, a expedição de La Ravardiê passa na tribo dos Caetes, hoje a cidade de Bragança, avista a tribo dos Tupinambás Virianduba, hoje a cidade de Salinópolis, vai ate a tribo dos índios Maracanãs, hoje a cidade de Maracanã e desce até o rio Pará.

Foi a primeira expedição a mencionar o avistamento da aldeia dos Tupinambás Virianduba, inclusive, incluindo-a em seu mapa.


Estes episódios fora vistos como uma afronta a coroa portuguesa e um desrespeito ao Tratado de Tordesilhas.

Os portugueses revidam e após a conquista de São Luís do Maranhão, em novembro de 1615, por determinação do Capitão-mor da Conquista do Maranhão, Alexandre de Moura, o Capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, Francisco Caldeira de Castelo Branco, partiu daquela cidade para a conquista da boca do rio Amazonas, a 25 de dezembro de 1615.

Visando consolidar a posse definitiva desta região, os portugueses expulsam os franceses. E em 1615, a primeira expedição lusa, comandada por Castelo Branco e guiada por, ele de novo, Carlos des Vaux, entra nas águas de Virianduba.

A edificação do Forte do Castelo (Belém) e da Atalaia (Salinópolis)

Com a união das Coroas Ibéricas (1580 – 1640), inicia-se a ocupação militar na embocadura do rio Amazonas.

Um dos primeiros procedimentos para garantir as posses portuguesas, foi a edificação de fortes de defesa, segurança e vigilância, para proteger o território de possíveis invasões e ataques.

Em 1616, os portugueses fundam o Forte do Presépio na Baía do Guajará. Hoje a cidade de Belém, capital do Estado do Pará.

Em 1656, Vidal de Negreiros manda o capitão-mor do Pará, Feliciano Correia, edificar uma Atalaia no alto de um morro, na praia que hoje leva o mesmo nome.

E o que é uma Atalaia?
“Lugar elevado a partir do qual é possível vigiar ou observar; guarida ou torre construída para vigiar ou observar”.

Primeiramente as embarcações recebiam um sinal de aproximação do posto de vigilância através de fogueiras, depois o mesmo capitão-mor foi encarregado de colocar um canhão e a construir casas que alojavam os práticos, que as guiavam até a cidade Belém, e suas famílias.

Posteriormente este sistema de sinalização foi substituído pelo primeiro Farol de Salinópolis.

Assim começaram a ter controle sobre o trafego marítimo em nossa costa.


A chegada dos portugueses a Virianduba

Como estratégia para assegurar a posse portuguesa no Brasil, foram criadas as unidades politico-administrativas, como os Estados.

Já em 1621 que o território brasileiro havia sido dividido em dois Estados: o Estado do Brasil (do Rio Grande do Norte para o sul) e o Estado do Maranhão e Grão-Pará (do Ceará para o norte), com sede em São Luiz.

Virianduba, ainda uma tribo indígena, neste momento passa a fazer parte da Capitania do Caeté (atual município de Bragança).

Os índios Tupinambás Virianduba já extraiam das aguas do oceano atlântico, o sal. Produto que foi requerido pela coroa portuguesa, apropriando-se dessas áreas de produção como Salinas Reais.

O lucro do sal não era repartido com os donatários das capitanias, mas eram os mesmo que custeavam sua produção. Fato que deu origem a divergências entre a capitania do caeté e a coroa portuguesa.

O último donatário da Capitania, José de Souza e Melo, se mostrou indignado, pois isso prejudicava sua proposta de exploração da mesma. Então solicita direitos sobre os rendimentos da Salina Real, alegando que a mesma encontrava-se na sua Capitania, razão porque solicitou e foi feita a demarcação da Capitania do Caeté.

Em 1645, os jesuítas, que haviam se instalado em Maracanã e Caeté, começaram a se instalar em Virianduba.

Trouxeram melhorias, principalmente agrícolas e na produção de sal. Subiram Salinas a categoria de “pagus missio Salinarum” (Povoado da Missão Salinas).

Em 1656, Vidal de Negreiros funda oficialmente o povoado.

E, como foi dito acima, Vidal de Negreiros manda edificar uma Atalaia. Onde se começa a controlar o trafego marítimo. Que dá inicio a atuação dos práticos.

E assim começa a história de Salinópolis, ligada à função de Atalaia e a produção salineira, ambas muito dependentes do conhecimento e da força do trabalho indígena, pois foram os índios Tupinambás os primeiros práticos e salineiros desta região.

Estudo feito por: Mauricio D´Oliveira